quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Escobar

“Eis aqui outro seminarista. Chamava-se Ezequiel de Souza Escobar. Era um rapaz esbelto de olhos claros, um pouco fugitivos, como as mãos, como os pés, como a fala, como tudo. Quem não estivesse acostumado com ele podia acaso sentir-se mal, não sabendo por onde lhe pegasse. Não fitava de rosto, não falava claro nem seguido; as mãos não apertava as outras, nem se deixavam apertar delas, porque os dedos , sendo delgados e curtos, quando a gente cuidava de tê-los entre os seus, já não tinha nada. O mesmo digo dos pés que tão depressa estavam aqui como lá. Esta dificuldade em pousar foi o maior obstáculo que achou para tomar os costumes do seminário. O sorriso era instantâneo, mas também ria folgado e largo. Uma coisa não seria tão fugitiva, como o resto, a reflexão; íamos dar com ele, muita vez, olhos enfiados em si, cogitando.”

Bentinho
Dom Casmurro, Machado de Assis

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